Casamento & baby-sitting

Fomos convidados para um casamento no sábado. É dos nossos vizinhos de baixo, que já moram juntos há dois anos e tem uma filhinha de um ano. Resolveram, pois, casar-se. A cerimônia será só no civil, de manhã. A tarde haverá uma recepção na casa dos pais da noiva e à noite é, propriamente dita, a festa,  como é comum aqui na Alemanha. Fomos convidados para o casamento, com um porém, fazer baby sitter para a filhinha deles!!!

Heeeinnnnnn??? Isso mesmo, não poderemos desfrutar da festa como qualquer outro convidado, e sim, teremos que tomar conta da pirralha O DIA INTEIRO!!! Estranho? Sim, muito, mas como estamos na Alemanha, você não precisa se surpreender com nada…

A programação do dia é a seguinte: de manhã bem cedo quando os noivos começarem a se arrumar, desço para o apartamento deles e já começo a tomar conta do bebê para que eles se aprumem. Dependendo do humor da criança, vamos ou não na cerimônia civil. Se ela estiver com sono ou fome, não iremos, se ela estiver bem humorada, iremos. À tarde vamos com a bebê para a recepção na casa dos pais da noiva. E à noite, quando é o bem bom da festa, temos que voltar para casa antes mesmo de começarem a servir o buffet, pois a pirralha tem hora para dormir: 7 da noite!!

Conclusão: fomos e não fomos convidados.

Mas, conhecendo o modo de viver e de pensar dos alemães, não podemos considerar isso como uma ofensa ou aberração. Dado que aqui qualquer tipo de serviço custa muito caro (incluindo baby sitter) e que toda a família estará envolvida no evento (leia-se: niguém está a fim de ficar tomando conta da filha dos noivos), pode-se considerar a solução de convidar um casal e amigos próximos, mas não íntimos; que conheçam bem a criança, mas não a família ou os amigos do casal, para pagar esse sapo, ou seja, os vizinhos de cima, precisamente, nós!

Faremos com prazer o favor. Além do que, festa de casamento na Alemanha não é sinônimo de divertimento na certa, e talvez a idéia de voltar para casa mais cedo, com uma temperatura prevista de -3°C não seja tão má.

Larissa d’Avila da Costa – Dresden, novembro 2006.