Percepções

Ontem me marido cozinhou esse ensopado de ervilha. É um prato muito comum na Alemanha quando começam os dias frios do outono. É feito com bacon, batata, cenoura, e, obviamente, ervilha.
Enquanto ele cozinhava, eu arrumava a mesa para a janta. Aí tive a ideia de abrir um vinho tinto para acompanhar o prato e perguntei se ele gostaria de tomar também.
Ao qual ele respondeu: “não, eu prefiro uma cerveja.”
WHAAATTT? Está – 4C, o dia foi imensamente plumbeo, feio, frio, nós vamos comer sopa e você vai tomar uma cerveja? Não combina!
O que não combina é vinho tinto!, respondeu ele.
Bem, aí começamos uma análise das diferentes percepções das coisas:
Cerveja pra mim é sinônimo de calor, praia, é uma bebida refrescante.
Vinho tinto pra mim já lembra frio, inverno, comidas pesadas.
Para o meu marido, a cerveja não é necessariamente uma bebida refrescante, eis que a cerveja alemã é bem mais densa que a brasileira. E eles a tomam resfriada e não praticamente congelada, como nós.
Já o vinho tinto sim, combina com pratos pesados, mas não precisa ser necessariamente inverno para isso. Ao seu ver, o vinho tinto apetece com carnes vermelhas e queijos, e deve ser tomado levemente refrigerado.
Chegamos à conclusão de que cada um deve tomar aquilo que lhe apetece, respeitando as diversidades e quebrando paradigmas que nos foram impostos.
Afinal, tudo é uma questão de percepção e perspectiva.
E você, comeria o ensopado acompanhado de que bebida?

Larissa d’Avila da Costa, Gilching, janeiro 2021